Leopold Lowestein (Hamburg - 1905)

PESQUISADOR E EDITOR: Simon Abuhab

Entre as famílias judaicas intelectualizadas que se espalhavam largamente na Espanha, Portugal, Holanda e Itália, encontrava-se a família ABOAB com vários expoentes que chamavam a atenção pôr sua sabedoria. Não é fácil separar os vários ramos familiares e retroceder às suas origens. A dificuldade principal é que diversos membros desses ramos têm o mesmo prenome, o que complica deveras as pesquisas. Eu pretendo neste trabalho justamente desmembrar estes ramos familiares através de pesquisas realizadas anteriormente por outros e informações constantes em literatura sobre o assunto.

Com grande freqüência encontramos o nome ISAAC ABOAB; inicialmente como autor do famoso trabalho "CANDELABROS DA LUZ" (MENORAH HAMAOR), que vamos denominar ISAAC ABOAB I. Ele vivia em torno de 1320 na cidade de Toledo, onde provavelmente redigiu o citado livro, que segundo suas próprias palavras, se prestava para ensinamento público e deveria orientar para uma visão moral da humanidade.

O livro se preocupou inicialmente com trechos das diversas Hagadás, negligenciadas em análises do Talmud, em que ele faz curtos comentários. Esta separado em sete "Velas, que se subdividem em "Partes Principais” e estas em "Divisões” e as ultimas em "Capítulos", estes em numero de 338.

A primeira "Vela" trata de como evitar a opulência, a segunda de como evitar discursos inúteis, a terceira do cumprimento dos mandamentos, a quarta do estudo das leis, a quinta da expiação, a sexta da paz e do amor e a sétima da humildade.

O extraordinário sucesso desse trabalho é atestado pelas muitas edições, entre as quais treis em Veneza (1544, 1595 e 1623), Mantua 1563, Frankfurt em 1687, Amsterdam 1700 e 1722; um manuscrito do livro encontra-se em Oxford.

O livro como talvez nenhum outro, penetrou nas rodas populares judaicas, e principalmente pela tradução ao alemão tornou-se um livro de consulta, que não devia faltar em nenhuma família judaica. Era indicado principalmente para as mulheres pôr seu estilo de redação e sua religiosidade não maquilada.

Pôr seu estilo, composição e descrição dos comportamentos morais e religiosos ele tem preferência sobre o Talmud que é muito mais complicado para consulta-lo.

Em sua introdução o autor ainda cita dois outros livros pôr ele escritos, o primeiro uma organização de todos os mandamentos judaicos e o segundo de comentários sobre diversas rezas e bênçãos. Tais obras estão desaparecidas.

Mais importante em admiração e cultura do que o anterior, é ISAAK ABOAB II, o ultimo Gaon de Castela, que teve como amigo e aluno Don Isaak Abarbanel. Ele nasceu em torno do ano de 1433 e freqüentou a escola talmudica de Gaon Rabi Isaak Campanton do qual foi sucessor como professor. Alguns meses antes da dispersão dos judeus espanhóis ele conseguiu autorização do Rei João II para ele e 29 conterrâneos de radicar-se em Portugal. As condições negociadas foram bastante favoráveis e Rabi Isaak pode ainda viver no Porto pôr meio ano tranqüilamente, vindo a falecer lá no mês de Adar de 1493, sete meses após a dispersão. Seu aluno Abraham Sacut, autor do livro Juchaim fez um discurso de despedida baseado no Exodo 23.20.

Isaak Aboab deixou um apreciável numero de jovens seguidores que em qualquer decisão que tomavam se apresentavam com orgulho como alunos dele. A esse grupo pertencia Joseph e Schemtob Uziel, Joseph Peso, Samuel Serralvo (seu genro) e Jacob Berab.

Isaak Aboab II, escreveu em sua juventude o livro "Correnta Pischon" , contendo esclarecimentos sobre detalhes difíceis da Biblia e do Talmud. O livro foi impresso pôr seu filho Jacob. (nota: Acredito que seja Jacob que foi para Constantinopla, e lá publicou esse livro). Esse raro trabalho foi impresso em Constantinopla pôr Eliezer Soncino e tem um prefacio de Salomo Marsaltob e um posfácio do filho de Jacob.

Posteriormente Isaak Aboab escreveu um Supercomentário sobre o comentário de Nachaminides a respeito do Pentateuco, que foi impresso em conjunto em Veneza (1548), Cracóvia (1587) e Wilhelmdorf (1713).

Isaak Aboab escreveu mais tarde novelas denominadas Jebanot, Gittin, Kidduschin e Baba Mezia, que foram mencionadas em uma nomologia pôr Immanuel Aboab.

Rabbi Joseph Karo tinha em suas mãos comentários de Isaak Aboab em relação à grande parte do Orach Chajim; também Azulai viu manuscritos desse trabalho.

Rabbi David Ibn Simra tinha em mãos comentários de Isaak Aboab à respeito de Jore Dea.

Rabbi Joseph Ibn Leb tinha em mãos comentários à respeito do Goschen Mischpat. Tambem Jacob filho de Isaak Aboab menciona no término do Nehan Pischon comentários do Pentateuco bem como muitos pareceres jurídicos.

Isaak Aboab II, deixou além do citado filho de Jacob ainda um filho mais velho de nome Abraham. Este vivia baixo a proteção do Rei Português em Porto e criou em sua casa o neto prematuramente orfão Immanuel Aboab nascido em 1555, cujo pai é provavelmente o Isaak mencionado na Nomologia. Quando a Inquisição chegou também a Portugal, Immanuel emigrou para a Itália e encontrou após muitas andanças guarida em casa de parentes em Veneza. lá em 1603 na frente do Senado e do Doge Grimani pronunciou um discurso que teve grande repercussão sobre a fidelidade dos judeus. Em 1607 ele discursou na frente de Horário Del Monte, general da Republica de Veneza.

Sobre seus conhecimentos talmudicos, cabalísticos, lingüísticos, filosóficos e astronômicos, atesta sua obra "Nomologia o discursos legales", que ele produziu entre os anos de 1615 e 1625 em língua espanhola. Somente pôr pressão de amigos é que ele finalmente levou esta obra a público. Não foi-lhe destinado entretanto ver em vida a publicação. Ele morreu em 1628, e a obra foi publicada no ano seguinte sendo as custas assumidas pôr seus herdeiros e amigos. O precioso livro foi publicado em Amsterdam.

A nomologia na qual o autor quer provar a veracidade das leis orais, dividem-se em 2 livros. O primeiro fala da necessidade e utilidade das leis orais, isto é, do livre arbítrio e da realização do ser humano. Também fala das contradições entre as leis escritas e orais; a solução dessas contradições, a impossibilidade de obedecer as leis escritas sem conhecimento das leis orais; nova e velha cronologia e comprovação do cálculo do tempo judaico.

O segundo livro contem a história das leis orais desde Moisés até os tempos mais recentes; como Moisés obteve as leis e as ensinou; a disposição dos israelitas no deserto conforme interpretação judaica, a correspondência com Horatio Del Monte a respeito da natureza dos anjos, opiniões sobre profecias; a cadeia de acontecimentos de Josue até Erza, o alto Sinédrio e suas atribuições; a inautenticidade da apócrifa carta de Jeremias; diversas traduções da Bíblia; respostas a criticas de agressões ao Talmud; resumo da história da literatura judaica do inicio até Joseph Karo, baseado principalmente no livro da Cabala e Juchasin.

Todo o trabalho respira uma profunda crença bem como uma solidariedade intensa em relação aos sofrimentos infligidos ao povo de Israel naquela época. Admiráveis são suas observações e análises em relação ao destino de vários estudiosos dispersos da Espanha e Portugal. Seu trabalho foi muito elogiado pôr Isaak Cardoso, Samuel Jachja, Samuel Aboab, David Neto e Mose Chagis.

Imanuel Aboab objetivava também produzir e publicar um calendário permanente, juntamente com um trabalho de geografia. Ele queria se mudar também para a Palestina e lá escrever um trabalho denominado 'FORTATITUM VEL PROPUGNAQULUM VERITATES'(Defesa da Verdade), em que almejava derrubar os ataques ao Talmud e provar a insensatez desses ataques.


Pôr ocasião de um diálogo fictício entre ele e um padre cristão, chega a falar sobre os Prosélitos e diz que em geral os mesmos são ralé dos conterrâneos e o provam pelo tipo de vida que levam; o que ele pode sentir pôr experiência própria. A respeito desse assunto ele se propôs a escrever um livro "Reino da Sabedoria".

A morte prematura parece que destruiu todos esses objetivos. É de se lamentar também que a Nomologia foi muito pouco prestigiada pelas gerações futuras.

À Portugal levam também os rastros de um outro Isaak Aboab, chamado o III, ou mais comunmente chamado pelo sobrenome da mãe, Isaak Aboab da Fonseca. Sua biografia encontra-se com Henrique de Castro e recentemente no Jornal Hagaren. Ele é um descendente de Isaac Aboab II e nasceu no ano de 1605 em Castro Daire (Portugal). Seu pai David acompanhado de sua esposa Isabel da Fonseca (que tinha por ocasião do nascimento de seu único filho, a idade de 51 anos), abandonou seu lar português, para fugir da inquisição e se dirigiu para Amsterdam, após uma curta estadia na França. David morreu logo e sua mãe levou seu filho, então com 7 anos, à escola de Isaak Uziel, onde em companhia de R. Menasse Ben Israel, se educou em estudos judaicos e profanos.

Seus estudos tiveram um excelente resultado, de modo que , no ano de 1626 com 21 anos, ser nomeado o CHACHAM (sábio) da comunidade Beth Israel.. Nesse cargo ele era membro do colegiado Rabínico, ao qual pertenciam também como diretores, Saul Levi Moreira, David Pardo e Menasse Ben Israel. Ele era responsável também pelo ensinamento d língua hebraica e do Talmud. Eram freqüentes seus discursos e prédicas, sempre muito concorridas.

No ano de 1642 emigrou para o Brasil, que na época pertencia aos holandeses e foi contratado pela comunidade de Pernambuco como Chacham (sábio). Lá ele ficou até o ano de 1645, entre ferozes combates travados pôr portugueses e holandeses. Durante essa guerra, os habitantes judeus participaram em grande numero dos combates, demonstrando bastante heroísmo. Isaac Aboab lhes dava o suporte moral, maravilhava-os com suas [prédicas e lhes transmitia esperança na salvação. Os portugueses saíram vitoriosos e Isaac Aboab teve novamente que empreender a estrada do exílio, retornando a Amsterdam. Antes disso ele reuniu ainda todas suas experiências da guerra em um livro. Em Amsterdam foi novamente nomeado Chacham e exercia a função de Assessor do Rabinato e professor do Talmud. Ele foi membro do tribunal que excomungou Espinoza. Dez anos após (1666) defendeu ardentemente Sabbatai Zwi. No ano de 1670 ele deu impulso para a construção da hoje grande sinagoga em cuja inauguração (1675) pronunciou o festivo discurso.

Suas prédicas eram cheias de conteúdo e muito acessíveis ao povo. Aboab era também um grande poeta e envolvido com as ciências. Ele produziu em tradução espanhola, comentários sobre o Pentateuco (Philosophia Legalis), um trabalho com conteúdo semelhante á Nomologia de Imanuel Aboab,. Também escreveu um poema "Triunfo de Moses" em língua hebraica; uma tradução hebraica de uma obra cabalística em espanhol escrita pôr Abraham de Herrera; 886 prédicas pronunciadas em diversas ocasiões; um livro de rezas em hebraico e espanhol (Amsterdam 1687). Deixou além disso um manuscrito em que analisa a duvida se o castigo infligido a um pecador permanece ou não após sua morte para todo o sempre. O autor se decide pela hipótese de que o castigo permanece em oposição ás opiniões de R. Saul Levi Moreira, Schemaja de Modena e Asrja Figo, os rabinos de Veneza.

O manuscrito (1648) redigido em Amsterdam encontra-se na biblioteca Sussexiana em Londres. Outro manuscrito sobre gramática hebraica do ano de 1647 foi pôr ele escrito. Escreveu também inúmeras Aprobações (?).

Durante seus últimos anos, teve dificuldades de visão. Morreu aos 88 anos no shabat dia 2 de Adar (4 de abril de 1693).

No seu leito de morte nomeou seu sucessor o chacham Jacob Sasportas que foi empossado um dia após sua morte.

Muitos poemas, discursos e honras que lhe foram conferidas, atestam o respeito e admiração de que gozava em todos os círculos. Sua biblioteca continha 18 manuscritos hebraicos, 373 livros hebraicos e 53 livros em outras línguas.

Junto a Aboab esta enterrada sua primeira mulher Esther que faleceu em 28 de Adar (1o. de março de 1669), e próximo de lá estão os restos mortais de sua segunda mulher Sarah, falecida em 1o. Kislev (13 de novembro de 1689). Aboab deixou vários filhos e uma filha (judith) que casou com Daniel Berillos em Amsterdam. Este senhor era muito versado nos escritos judaicos e se dedicava às prédicas, ensino e era membro da diretoria da escola. Ele escreveu um livro em hebraico que descreve a estadia de Adão no Paraíso. Uma poesia escrita pôr ele e pôr seu sogro Aboab está citada em um livro de Joseph Penso (Amsterdam 1673). Daniel Berillos morreu em 1701 e sua esposa Judith em 1686.

Uma ramificação da família Aboab emigrou para Hamburgo; era Abraham Aboab o fundador da sinagoga local (Keter Torá). Anos depois mudou sua residência para Veneza onde faleceu no ano de 1642. Seu comportamento religioso e seus trabalhos beneficentes são citados em discurso proferido pôr ocasião de sua morte.

Abraham Aboab deixou 4 filhos. O mais velho Samuel nasceu em 1610 em Hamburgo e foi ensinado pelo Rabi Mose ben Arroyo. Seus estudos talmudicos foram dirigidos pelo rabi David Frankos de Veneza que o considerou seu aluno preferido. Rabi DAvid faleceu em 1623 e sua filha Massaltob casou-se com Samuel. Nessa época ele tinha 18 anos e a festa de casamento levou os parentes Aboab à Veneza. Foi muito tempo rabino em Verona e depois na mesma função à partir de 1650 em Veneza, onde sempre teve um grande número de alunos e gozou de admiração geral. Seus conhecimentos talmúdicos eram imensos e freqüentemente outros estudiosos recorriam a ele para consultas. Outorgou-se-lhe o nome honorífico de Rabi Samuel Ben Abraham comparando-o assim a outro grande, o rabi Solomo Ben Adret.

No ano de 1669 quando Aboab tinha 60 anos, ficou gravemente doente. Mesmo assim não era poupado de consultas e se deleitava com o estudo do Torá dias e noites seguidas. Como grande pensador acompanhava todos os acontecimentos com enorme interesse, principalmente os que se relacionavam com o judaísmo. Em 1689 recebeu a visita do rabi Zwi Aschkenazi que estava de passagem pôr Veneza.

No octogésimo ano de vida isolou-se da comunidade. Faleceu em 1o. de Elul (22 de agosto de 1694) aos 84 anos. O discurso á beira do túmulo foi feito pôr Benjamim Kohn rabino em Reggia, e uma elegia está citada na literatura, escrita pôr Josua Ben David Levi, rabino em Veneza.

Dos escritos pôr ele deixados, podemos citar em primeiro lugar, um publicado em Veneza (1702), que destaca os pareceres jurídicos pôr ele pronunciados em vida.

Na introdução feita pôr seu filho Jacob, é descrita com muitos detalhes a sua vida. A obra contem 377 decisões jurídicas que Samuel Aboab enviou à Verona, Veneza, Londres e Safed.

Elas são escritas em forma de cartas. As datas estão colocadas em poucas delas e a assinatura quase sempre falta. As principais decisões são s numero 45 (crianças forçadas à conversão para outra religião); numero 66 (sobre um legado para os pobres na Palestina) e numero 138 (onde se pergunta se é melhor estudar a Tora a semana toda e viver de ajuda humanitária ou trabalhar e se dedicar aos estudos somente aos sábados).

Rabi Samuel Aboab escreveu também um livro sobre as leis religiosas, mas não se conhece o editor e o local da edição. Deixou ainda diversos manuscritos.

O irmão mais novo chamado também Isaak é citado como importante colaborador de Samuel e é muito elogiado. Os outros dois irmãos; Jacob e Joseph se destacaram principalmente pôr atos beneficentes em especial a fundação de uma organização que tratava do resgate dos judeus perseguidos.

À morte de Samuel, sobreviveram sua mulher e 4 filhos. Seu filho mais velho Abraham foi o sucessor nas funções do pai. Parece que este filho não viveu muito.

O segundo filho, chamado David, foi muito respeitado pôr seus conterrâneos. O filho de David, também chamado Samuel (portanto neto do Samuel Aboab), nasceu em 1692 e foi abençoado ainda no leito de morte pelo avô. Tornou-se posteriormente rabino em Veneza e participou do movimento contra Mose Chajjin Luzzato.

O terceiro filho Jacob foi igualmente rabino em Veneza e era muito respeitado pôr seus profundos conhecimentos. Em disputas era dado muito valor às suas opiniões. Ele se ocupava bastante com antigüidades religiosas. Manteve uma intensa correspondência em língua hebraica com o Pastor Unger. Tais documentos estão na Biblioteca Nacional de Hamburgo, manuscritos e são de difícil leitura. Também na Biblioteca de Frankfurt existem cartas em italiano que ele enviou á Hiob Ludoff nos anos de 1685 e 1692. Este senhor Ludoff era um importante entendido em cultura oriental, falecido em 1704.

A data da morte de Jacob Aboab não posso determinar. Entretanto no ano de 1729 ele ainda era vivo. Dos seus escritos nada foi publicado. Existem alguns documentos dele publicados em livros de outros autores, tal como uma carta dirigida à Nehemia Ben Baruch de Ferrara. Em 1713 ele escreveu à pedido de seus irmãos uma carta para o Chacham Zwi referente às mentiras propaladas à respeito do pseudomessias Nehemia Chajun.

Joseph o quarto filho de Samuel Aboab, ocupou o cargo de seu pai na direção da escola Talmudica.

Samuel Aboab e seus 4 filhos são citados sempre pôr pessoas da época como grandes literatos, muito religiosos e de grande saber. Tais observações aparecem em diversas introduções a outros trabalhos e livros de rezas.

Um outro cidadão de nome Aboab que vivia em meados do século XVI e era rabino em Veneza, foi procurado pelo rabino Mordechai Jaffe, para se instruir com ele em conhecimentos profanos. O prenome desse Aboab não me foi possível descobrir.

Também como impressores e editores existiam diversos Aboab em Veneza; os irmãos Abraham e Isaak que editaram em 1590 os salmos, com comentários de Meir Arama. Um Abraham Aboab mais jovem era conhecido na mesma profissão entre os anos de 1655-16669 e cujo filho Jacob seguiu a profissão do pai entre 1669-1683.

Outros Aboab, sobre cujas vidas nada consta, são os seguintes:

ABRAHAM ABOAB de Pelot (Aragonia ?), recebeu em 1263 do Rei Jaime títulos de propriedade (Enciclopédia Judaica I, pag. 73).

ABRAHAM ABOAB, que viveu no século XIV, é citado no RGA de Jehuda ben Ascher.

ABRAHAM ben JACOB ABOAB, pertencia aos estudiosos de Salonica e morreu jovem.

JEHUDA ABOAB, um descendente de Isaac Aboab II, abandonou Portugal no século XVI e foi durante muitos anos juiz em Alcaçarquevir. Seu aluno David Fayon conheceu Immanuel Aboab pessoalmente.
Uma viuva de Jehuda Aboab é citada pôr Neubauer na Bibliografia Hebraica XXI pag. 117.

MOSE ABOAB obteve em 1684 a cidadania em Nova York.

JACOB ABOAB viveu em 1626 como médico em Meca.

JACOB ABOAB em 1654, foi um dos primeiros imigrantes em Nova York.

RAFAEL ABOAB emigrou em 1669 para o Surinam.

ISAAC ABOAB, viveu em 1680 em Barbados.

GABRIEL ABOAB viveu em Hamburgo em 1621, ao qual Isaac Athias dedicou seu livro: Fortificacion de La Ley.

ABRAHAM ABOAB FALERO, morreu em 1642 em Veneza.

ELIAHO ABOAB CARDOSO, viveu em Hamburgo, em cuja residência em 1627, foi instalada uma sinagoga para os portugueses e chamada Talmud Torá.

Muitos Aboab repousam no cemitério dos portugueses em Altona, onde também é visível o escudo da família (uma torre, à esquerda um canhão à direita uma casa).
Em Amsterdam onde o nome de Aboab se manteve até 1814, encontramos ainda os seguintes portadores do nome:

ABRAHAM ben JACOB ABOAB, em 1617, pertenceu muitos anos à direção da coletividade judaica Beth Israel e é citado ainda em 1662 no "Livro de Eleições". Sua mulher chamava-se Sarah

À família Zenach-Aboab pertencem:

DANIEL ZEMACH ABOAB, médico, diretor do Talmud Torá e cobrador da Chebra Bikkur Chalim entre 1689 e 1718. Ele casou em 1668 com Rebeca, filha de Jacob Lopes.

ISAAK ZEMACH ABOAB, irmão do anterior, Doutor em medicina e filosofia; em 1645 era diretor da Talmud Torá; 1701 administrador da "Vestiania dos Talmidim"; 1709 representante do Beth Chajjim; 1714 representante da Chebra Bikur Cholim; ele escreveu uma carta de congratulações em latim para Benedito de Castro em Hamburgo, que era o famoso médico particular da Rainha Cristina da Suécia.

ABRAHAM ZEMACH ABOAB era em 1713 cobrador de donativos para a terra sagrada; 1727 representante e administrador do Beth Chajjim.

MORDECHAI ZEMACH ABOAB, em 1736 era administrador da Gemilut Chassidim.

À familia ABOAB DA FONSECA pertenceu ainda, além dos já relacionados:

ISAAC ABOAB DA FONSECA, que entre 1730-1739, supervisionava o cemitério.

JEHUDA ABOAB DA FONSECA, que em 1776 era administrador da Gemilut Chassidim.

À família ABOAB OSÓRIO pertencem:

DAVID ABOAB OSÓRIO, que em 1724 era cobrador de donativos para a terra Santa; 1727 representante da Chabra Bikkur Cholim; 1730 e 1736, diretor da Talmud Torah.

ISAAC ABOAB OSÓRIO, um dos admiradores da Sabbatai Zwi e diretor da Chabra Bikkur Cholim.

JACOB ABOAB OSÓRIO, entre 1659 e 1716, administrador do Gemilut Chassidim e diretor do Chevra Bikkur Cholim e Talmud Torah.

JOSEPH ABOAB OSÓRIO em 1782 diretor do Bikkur Cholim.

IMMANUEL ABOAB OSÓRIO, 1669, cobrador de donativos para a Terra Santa.

À família ABOAB DA PAZ pertenceu:

MOSE ABOAB DA PAZ, em 1731 administrador da Visitiania dos Talmidim.

SAMUEL ABOAB DA PAZ, um dos admiradores de Sabbatai Zwi.

Viveram ainda em Amsterdam:

MATATIA ABOAB, também chamado MANOEL DIAS HENRIQUES, nascido em 1594 na cidade de OPORTO, veio em 1626 para Amsterdam, onde ele foi nomeado representante da comunidade Beit Jacob (1639); em 1646 e 1650 diretor da Chevra Bikkum Cholim. Morreu em 1667, sua mulher Ester em 1670. O quarto filho dessa união foi Isaac ben Matatia Aboab.

ISAAC BEN MATATIA ABOAB nasceu em 1631. Foi chazam da comunidade portuguesa e amigo de Surenhuys. Entre 1672 e 1700 ocupou diversos cargos honoríficos da comunidade. Escreveu um livro, publicado em Amsterdam em 1687 chamado Exortação para que os Tementes do Senhor na Obervança dos Proceitos de sua Santa Ley. Ele morreu em 1707. Sua mulher Sara (nascida Curiel) morreu em 1691 aos 39 anos.

MOSE BEN MATATIA ABOAB, irmão do anterior era em 1676 cobrador e ocupou diversos cargos honoríficos entre os anos de 1652 e 1687.

MATATIA BEN MOSE ABOAB, filho do anterior, foi em 1706 diretor da Chevra Bikkum Cholim e em 1709 diretor da Talmud Torah.

Entre os filhos de Isaac ben Matatia Aboab, podemos citar ainda Matatia (nascido em 1672); David (nascido em 1676) e Immanuel (nascido em 1679).

DAVID ABOAB, editor do livro "Catalogo de diferentes remédios para diversas sortes de achaques, achados pôr experiência haverem sido bons"(1685).

ELIA ABOAB, editou os salmos (1644) e duas partes da Mishná e um livro de rezas. Neste último ocupou-se Menasse ben Israel como revisor.

DANIEL ABOAB (1646), diretor da Chebra Kibbur Cholim e Primeiro cantor da sinagoga.

BENJAMIM ABOAB (1653) administrador da Emprestimo, e 1655 diretor do Bet Chajjim.

JACOB BEN BENJAMIM ABOAB, viveu em torno de 1675 e era grande pensador
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GABRIEL BEN ELIA ABOAB 1690, administrador da Empréstimo.

ABRAHAM DEM BARUCH ABOAB, cobrador de cativos.

NOTAS
Immanuel Aboab escrevia freqüentemente em hebraico, espanhol, italiano, e latim. Citava freqüentemente: Platão, Aristóteles, Philo, Maimonides e Abarbanel.
Ele escreveu sobre astronomia: uma historia do calendário segundo Firmicus, Macrobius, Sensorius e Beda bem como uma retificação do calendário de Patativo e Jvan Stadio. Parece entretanto que não tinha conhecimento do sistema de Copérnico,
A familia Fonseca florescia em Amsterdam e Hamburgo. Abraham da Fonseca trabalhava na gráfica de Daniel da Fonseca (1627/28). Posteriormente foi Chacham da coletividade portuguesa em Gluksadt e depois em Hamburgo onde teve o mesmo cargo na sinagoga Keter Torah. Morreu em 1671. Entre seus descendentes conta-se vários médicos que viveram e morreram em Hamburgo. Também no Suriname viveram . O primeiro livro impresso em hebraico em Amsterdam (Aldabis) (1627), foi custeado pôr Abraham Kochen Henriques e Daniel da Fonseca. A revisão foi de Abraham da Fonseca.

A Antônio Vieira foi perguntado o que achava das seguintes pessoas: Sua resposta foi; "Menasse ben Israel diz o que sabe e Isaak Aboab da Fonseca sabe o que diz".
Um dos filhos de Isaac Aboab da Fonseca, chamava-se David, e foi chazam da Hebra em Amsterdam. Morreu em 1698 e sua mulher Raquel em 1718.